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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"HAWKING ESTÁ ERRADO", DIZ MATEMÁTICO E APOLOGISTA DE OXFORD!

Por John Lennox
título original:
As a scientist I'm certain Stephen Hawking is wrong. You can't explain the universe without God.
Não restam dúvidas de que Stephen Hawking é intelectualmente destemido como um herói da física. E em seu último livro, o notável físico propõe uma audaciosa mudança na crença religiosa tradicional na criação divina do universo. Conforme Hawking, as leis da física, não a vontade de Deus, proveem a explicação real de como a vida na Terra veio a existir. O Big Bang, ele argumenta, foi a inevitável consequência daquelas leis “porque há uma lei como a gravidade, o universo pode e quis criar a si mesmo do nada”. Desafortunadamente, enquanto o argumento de Hawking está sendo saudado como controverso e revolucionário, ele dificilmente seria novo.Por anos, outros cientistas têm feito afirmações semelhantes, sustentando que o assombroso, a criatividade sofisticada do mundo ao nosso redor, pode ser interpretado somente com referência às leis físicas, assim como a gravidade. Isso é uma abordagem simplista, ainda que em nossa época secularizada seja a única que aparenta ter ressonância com um ceticismo público.Mas, como cientista e cristão, simultaneamente, eu gostaria de dizer que a afirmação de Hawking é equivocada. Ele nos pede para escolher entre Deus e as leis físicas, como se eles estivessem necessariamente em conflito mútuo. Porém, contrariamente ao que Hawking declara, leis físicas nunca podem prover uma completa explanação do universo. As próprias leis não criaram nada; elas meramente são uma descrição do que acontece sob certas condições.O que parece que Hawking fez foi confundir leis com o agente. Seu chamado a nós para escolhermos entre Deus e as leis é quase como alguém nos exigir para optar entre o engenheiro aeronáutico Sir Frank Whittle e as leis da física para explicar o mecanismo do avião. Esta é a confusão de categoria. As leis da física podem explicar como o mecanismo do avião funciona, mas alguém tem de construir, pôr em funcionamento e dar a partida. O avião não poderia ser criado sem as leis da física por si mesmas – todavia, para o desenvolvimento e criação, precisa-se do gênio de Whittle como seu agente. De modo similar, as leis da física nunca poderiam ter construído o universo. Algum agente deve ter se envolvido.Para usar uma simples analogia: as leis do movimento de Isaac Newton, em si mesmas, nunca fizeram uma bola de sinuca atravessar o carpete verde, o que somente pode ser feito por pessoas usando o taco de sinuca e as ações de suas mãos.O argumento de Hawking me parece até muito mais ilógico quando ele diz que a existência da gravidade torna a criação do universo inevitável. Mas como poderia a gravidade existir em primeiro lugar? Quem a pôs ali? E qual foi a força criativa por trás de seu início? De forma análoga, quando Hawking argumenta, em apoio à sua teoria de geração espontânea, que isso era somente necessário para “o azul tocar o papel” para ser iluminado para “deixar o universo vir”, a questão deve ser: De onde vem esse azul que toca o papel? E quem o fez, se não Deus?Muito da racionalidade que se segue ao argumento de Hawking engana-se com a ideia de que há um conflito aprofundado entre ciência e religião. Mas reconheço que não há desacordo entre elas. Para mim, como religioso cristão, a beleza das leis científicas somente reforça minha fé em uma inteligência, força divina e criativa em operação. Creio em Deus por causa da maravilha na abrangência, sofisticação e integridade de sua criação.A verdadeira razão para a ciência florescer tão vigorosamente nos séculos 16 e 17 foi precisamente devido à crença de que as leis da natureza, as quais foram então descobertas e definidas, reflete a influência de uma divina legislação. Um dos temas fundamentais do Cristianismo é que o universo foi feito de acordo com um Planejador racional e inteligente. A fé cristã proporciona perfeito senso científico.Alguns anos atrás, o cientista Joseph Needham fez um estudo épico do desenvolvimento tecnológico na China. Ele queria descobrir por que a China, com todos os seus precoces dons de inovação, tinha falhado por estar tão atrás da Europa em seu desenvolvimento da ciência. Ele relutantemente chegou à conclusão de que a ciência europeia tinha sido estimulada pela disseminada crença na racional força criativa, conhecida como Deus, a qual fez todas as leis científicas compreensíveis.Não obstante, Hawking, como muitos outros críticos da religião, quer que creiamos que não somos nada mais que uma aleatória coleção de moléculas, o produto final de um processo não intencional. Se verdadeiro, isso poderia indeterminar quanta racionalidade precisamos para estudar a ciência. Se o cérebro fosse realmente o resultado de um processo não dirigido, então não há razão para crer em sua capacidade para nos dizer a verdade.Vivemos em uma época de informação. Quando vemos algumas letras do alfabeto escrevendo nosso nome na areia, imediatamente nos sentimos responsáveis em reconhecer o trabalho de um agente inteligente. Como muito mais, provavelmente, então, estaria um criador inteligente por trás do DNA humano, o colossal banco de dados biológico que contém não mais que 3,5 bilhões de “letras”?É fascinante que Hawking, em ataque à religião, sente-se compelido a colocar tanta ênfase na teoria do Big Bang. Porque, por mais que os não crentes não gostem disso, o Big Bang combina exatamente com a narrativa da criação cristã. Isso porque, antes de o Big Bang se tornar usual, vários cientistas foram forçados a admitir isso, apesar disso parecer se alinhar à história da Bíblia. Alguns aderiram à visão aristotélica do “universo eterno” sem início ou fim; mas essa teoria, e recentes variantes dela, estão agora profundamente desacreditadas.Mas apoio à existência de Deus está muito além da realidade da ciência. Dentro da fé cristã, há também a poderosa evidência de que Deus Se revelou à humanidade através de Jesus, há dois milênios. Isso é tão documentado não apenas nas Escrituras e em outros testemunhos, mas igualmente na fortuna das descobertas arqueológicas.Sendo assim, as experiências religiosas de milhões de crentes não podem claramente estar enganadas. Eu mesmo e minha própria família podemos testemunhar sobre a influência que a fé tem em nossa vida, algo que desafia a ideia de que não somos nada mais do que uma coleção aleatória de moléculas.É tão forte quanto óbvia a realidade de que somos seres morais, capazes de entender a diferença entre certo e errado. Não há rota científica para tais conceituações éticas. A física não pode inspirar nosso discernimento dos outros, ou do espírito de altruísmo que existe na sociedade humana desde a aurora do tempo.A existência de um conjunto comum de valores morais aponta para a existência de uma força transcendente além das meras leis físicas. Assim, a mensagem do ateísmo tem sempre sido curiosamente a única depressiva, retratando-nos como criaturas egoístas inclinadas a nada mais do que sobrevivência e autogratificação.Hawking também pensa que a existência potencial de outras formas de vida no universo mina a tradicional convicção religiosa de que somos o único motivo para Deus criar o planeta. Mas não há prova de que outras formas de vida existam fora, e Hawking certamente não presenciou nenhuma.Sempre me diverte que o ateísmo geralmente argumente pela existência de inteligência extraterrestre além da Terra. Assim, eles também estão somente ansiosos para denunciar a possibilidade, a qual nós já aceitamos, de um vasto e inteligente Ser externo ao mundo: Deus.O novo fuzilamento de Hawking não pode abalar os fundamentos da fé que está baseada em evidência.Fonte: Criacionismo

terça-feira, 20 de abril de 2010

A pseudo-ciência evolucionista

Além de debates públicos, participei de várias discussões polêmicas por escrito. Um exemplo dessas discussões foi a que tive com o cientista Richard Dawkins. Embora elogiasse suas obras ateístas, eu sempre criticara sua escola de pensamento do gene egoísta.

Em meu livro Darwinian Evolution, observei que a seleção natural não produz nada positivo. Apenas elimina, ou tende a eliminar, tudo o que não seja competitivo. Uma variação não precisa ter nenhuma real vantagem competitiva para evitar a eliminação. É suficiente que não sobrecarregue seu portador com uma desvantagem competitiva. Para usar uma ilustração bastante tola, vamos supor que eu tenha asas inúteis dobradas sob meu paletó, asas frágeis demais para me erguer do chão. Sendo inúteis, elas não me ajudam a escapar de predadores, nem a buscar alimento. Mas, como também não me deixam mais vulnerável a predadores, eu provavelmente sobreviverei para reproduzir e passar minhas asas a meus descendentes. O erro de Darwin, ao expor uma inferência demasia¬damente positiva com sua sugestão de que a seleção natural produz alguma coisa, foi, talvez, devido ao emprego que ele fez de expressões como "seleção natural" ou "sobrevivência dos mais aptos", em vez de sua própria e preferida "preservação natural".

Observei que O gene egoísta de Dawkins era um grande exercício de mistificação popular. Como filósofo ateísta, eu considerava esse trabalho de popularização tão destrutivo quanto O macaco nu ou A fauna humana, de Desmond Morris. Em suas obras, Morris oferece, como resultado de conhecimento zoológico, uma negação sistemática de tudo o que é mais peculiar a nossa espécie, vista como fenômeno biológico. Ele ignora as óbvias di¬ferenças entre os seres humanos e as outras espécies, não dando explicações para elas.

Dawkins, por outro lado, batalhou para diminuir ou depreciar o resultado de cinqüenta ou mais anos de trabalho em genética: a descoberta de que as características observáveis de organismos são, na maior parte, condicionadas pelas interações de muitos genes, enquanto a maioria dos genes tem múltiplos efeitos sobre muitas dessas características. Para Dawkins, o principal meio de produzir comportamento humano é atribuir aos genes características que possam, de modo significativo, ser atribuídas apenas a pessoas. Então, depois de insistir em que todos nós somos criaturas de nossos genes, e que nisso não temos escolha, ele sugere que não podemos fazer outra coisa a não ser aceitar as características pessoais desagradáveis daquelas mônadas que tudo controlam.

Os genes, naturalmente, não podem ser egoístas, nem altruístas, assim como nenhuma outra entidade sem consciência pode envolver-se em competição ou fazer seleções. Seleção natural é, notoriamente, não-seleção, e um fato lógico, um pouco menos conhecido, é o de que, abaixo do nível humano, a luta pela existência não é "competitiva" no verdadeiro sentido da palavra. Mas isso não impede Dawkins de proclamar que seu livro "não é ficção científica, mas ciência. Somos máquinas de sobrevivência, veículos robôs cegamente programados para pre-servar as moléculas egoístas conhecidas como genes". Embora mais tarde divulgasse algumas ocasionais retratações, Dawkins não emitiu nenhum aviso, indicando que suas palavras não deviam ser tomadas literalmente. E acrescentou, de modo sensacionalista, que "o argumento deste livro é que nós, e todos os outros animais, somos máquinas criadas por nossos genes".

Se alguma coisa disso tudo fosse verdadeira, seria inútil, como Dawkins faz, continuar a pregar: 'Tentemos ensinar generosidade e altruísmo, porque todos nós nascemos egoístas". Não há eloqüência que possa mudar robôs programados. Mas não há verdade em nada disso, nem mesmo um mínimo de sensatez. Os genes, como temos visto, não comandam, nem podem comandar, nos¬sa conduta. Tampouco têm a capacidade de calcular ne¬cessária para traçarem uma rota de implacável egoísmo ou de altruísmo sacrificial.

Fonte: FLEW, Antony. Um Ateu Garante: Deus Existe! São Paulo: Ed. Ediouro, 2008.